Nova audiência sobre termoelétricas será dia 28 no auditório do Peruíbe Palace – Último encontro foi cancelado devido às manifestações contrárias ao projeto

 

Manifestação contra termoelétrica. Foto: Itamar Zwarg/IEZ

Nova data da audiência para discutir sobre a usina termoelétrica acontecerá no próximo dia 28 de setembro, às 18 horas, no auditório do Peruíbe Palace, à avenida 24 de Dezembro, 30, Centro da cidade. A data foi remarcada pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) que alegou falta de segurança para realizar a audiência no dia 17, devido ao grande protesto feito público.

Grupos com faixas e cartazes com dizeres contrários à instalação das usinas termoelétricas em Peruíbe. Este foi o resultado da audiência sobre o projeto da usina termoelétrica que acabou sendo cancelada, no dia 17, no auditório Afinidades, em Peruíbe.

Cerca de 600 pessoas participaram da manifestação e da passeata promovidas por moradores, estudantes, indígenas e integrantes de ONGs ligadas aos projetos ambientais que não querem a instalação de uma usina termoelétrica em Peruíbe.

A audiência é o quinto e último debate para discutir os possíveis impactos ambientais do empreendimento. Já foram realizadas audiências nas cidades de Cubatão, Praia Grande, Mongaguá e Itanhaém.

Protestos

No dia 9 de agosto, a quarta audiência que aconteceu na Câmara de Itanhaém, também reuniu diversos manifestantes contrários ao empreendimento. A maioria do público, entre entidades civis, moradores e indígenas, protestaram contra o projeto com faixas e palavras de ordem – “Usinas não”.

Essa etapa tem o objetivo de discutir a obtenção do licenciamento ambiental prévio do empreendimento “Projeto Verde Atlântico Energias”, de responsabilidade de Gastrading Comercializadora de Energias SA.

Na abertura, o presidente da empresa Alexandre Chiofetti explicou sobre como será a implantação e o objetivo do projeto. Outro representante também falou sobre o EIA RIMA (Estudo e Relatório de Impacto Ambiental) e quais os possíveis impactos ambientais na região.

Conforme Chiofetti, o estado de São Paulo tem hoje um déficit de energia elétrica. “Existe uma demanda crescente por geração de energia. O projeto não foi protocolado junto ao Ibama porque o órgão delegou à Cetesb para realizar a análise do EIA RIMA”, explicou. O documento, segundo ele, já foi protocolado junto à Cetesb no mês de abril.

Na opinião do presidente da empresa, a usina termoelétrica a gás natural é mais seguro que o gás de cozinha (GLP). Em comparação à área necessária para geração de energia, segundo a empresa, será menor que a área de uma usina de energia solar ou de uma usina de energia eólica.

A cacique tupi-guarani Catarina Delfina dos Santos, da aldeia indígena Piaçaguera, de Peruíbe, demonstrou bastante preocupação em relação à uma possível instalação da usina. Na sua opinião, a implantação de tal projeto só irá trazer destruição e poluição ao ar, às águas, aos animais e ás comunidades indígenas na região. “Os índios sempre ajudaram a conservar as florestas, as aves e a natureza”, destacou.

Outro representante do comércio, de Peruíbe, também protestou e lembrou que o barulho das turbinas, além de um possível vazamento de gases tóxicos que podem prejudicar a qualidade do ar, os animais, as aves e a população do município.

Diversas preocupações foram citadas, como o respeito à biodiversidade da região, com os impactos que poderão afetar gravemente a natureza em toda a região.

Um dos representantes de ONG lembrou que a energia solar é o caminho, como projetos de energia solar e eólica, são os mais viáveis para a região. “Nenhum combustível fóssil é energia limpa”, salientou. O público lembrou ainda os equipamentos turísticos na região que também poderão ser afetados.

Já o presidente da Associação Comercial de Peruíbe, Jan Rieswick, e algumas pessoas presentes na audiência se manifestaram favoráveis ao projeto. Participaram da audiência representantes da Funai, vereadores de Itanhaém, secretários municipais, e a gerente da Cetesb.

O Projeto

De acordo com o projeto, a usina termoelétrica (UTE) a gás natural teria uma geração de até 1.700 MW de energia com uma linha de transmissão de 345 quilowatts e cerca de 92,5 km de extensão, e passaria por Peruíbe, Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande, São Vicente e Cubatão.

Ainda conforme o projeto, a transferência de gás natural do Terminal Offshore até à Estação de Medição e Regulagem de Pressão da UTE, será por meio de um gasoduto com cerca de 81,5 km, às instalações da Comgás em Cubatão, após passar por Peruíbe, Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande e São Vicente. O Terminal Offshore ficaria localizado a 10 km da praia e fora das terras indígenas.

O projeto de implantação da Usina Termoelétrica está orçado em R$ 5 bilhões.

Em análise

Outro encontro aconteceu na Câmara de Peruíbe, no dia 12 de agosto, reunindo diversos profissionais e técnicos ambientais que explicaram sobre os possíveis impactos que a UTE poderá causar em Peruíbe e em toda a região.

O Ministério Público Federal também já abriu um inquérito para apurar os danos a serem causados na região. O Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema), do Ministério Público Estadual, também já está investigando o projeto.

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) é o órgão responsável pela análise do EIA-RIMA. Em nota publicada em um veículo de comunicação da região, a Cetesb afirma que o EIA-RIMA está em fase inicial de análise por sua equipe técnica. E que ainda não emitiu nenhuma autorização para a instalação do empreendimento.

Nayara Martins
Secretária de Comunicação SACI

Updated: 31/08/2017 — 2:21 pm

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

SACI - Sociedade de Apoio à Causa Indígena © 2018 - Desenvolvido por: Francesco Antonio Picciolo - Hard Design Web Frontier Theme