Saci discute parceria de projetos ligados à causa indígena com a Funai

Membros da Sociedade de Apoio à Causa Indígena (Saci) estiveram reunidos com funcionários da Coordenação Regional Litoral-Sudeste da Fundação Nacional do Índio (Funai), na quarta-feira, dia 1 de novembro. O objetivo foi conhecer e avaliar uma possível parceria em alguns projetos do órgão voltados à causa indígena nas aldeias do Litoral Sul.

O coordenador regional Cristiano Vieira Gonçalves Hutter esclareceu que já existem diversos projetos em fase de estudos e implantação nas áreas de educação, geração de renda, entre outros, a serem desenvolvidos pela Coordenação Regional da Funai. Segundo ele, alguns projetos ainda estão parados devido à falta de recursos.

Um dos projetos apresentado por Karina Midori Ono e Milena Andrea Curitiba Pilla, da Divisão Técnica da Coordenação Regional da Funai, trata-se da implantação de um Centro de Recepção aos Turistas, na aldeia Piaçaguera, que seria utilizado para a recepção dos turistas e a comercialização do artesanato.  Porém, o projeto ainda não foi implantado porque a Funai está aguardando a posição do Comitê de Microbacias Hidrográficas para firmar uma parceria e viabilizar os recursos para a estruturação final.

Outro projeto seria o de confecção de camisetas com os desenhos feitos pelos alunos indígenas. Segundo Karina, o projeto já foi discutido em conjunto com a professora Lílian, da aldeia Piaçaguera. “A ideia é produzir camisetas com os desenhos feitos pelos jovens da escola indígena. Assim poderemos trabalhar a parte pedagógica e também promover a geração de renda junto às famílias”, esclareceu.

O presidente da Saci Ricardo Henrique da Silva lembrou, ainda, a possibilidade de se realizar oficinas para confeccionar objetos de madeira com alguns equipamentos que foram doados à Saci. Ele sugeriu que as oficinas para confeccionar as camisetas poderiam acontecer em conjunto com as dos objetos em madeira, nas aldeias das Terras Indígenas Piaçaguera.

Outra questão abordada por Ricardo foi a necessidade de se realizar um trabalho preventivo com palestras destinadas aos jovens indígenas, nas aldeias, com o objetivo de orientá-los sobre os riscos das bebidas, das drogas e o combate à violência. Representantes da Funai esclareceram que já pediram um auxílio da Justiça, mas que o trabalho relacionado à essas questões ainda é embrionário.

 A secretária de Relações Institucionais da Saci Joana Scholtes também apresentou sugestões e afirmou que a entidade está disposta a colaborar com alguns projetos em parceria com a Funai.

Karina Midori se comprometeu a enviar cópias de tais projetos à Saci. A entidade irá apresenta-los à diretoria e verificar a possibilidade de conseguir doação de recursos para a execução dos trabalhos em conjunto com a Funai.

Lições de gramática – Outro projeto apresentado pela antropóloga Juracilda Veiga, da Coordenação e Assessoria Linguística da Funai, foi o das Oficinas Linguística de Gramática Guarani-Nhandewa, realizado na aldeia Nimuendajú, entre os anos de 2013 a 2015. A promoção foi em conjunto entre a Unicamp (Universidade de Campinas), a ONG Kamuri, a Funai e outros parceiros.

Trata-se do livro “Lições de Gramática Nhandewa-Guarani – volume I”, lançado em 2016, com o objetivo de resgatar e fortalecer a língua tupi-guarani. O trabalho visa auxiliar os professores em sala de aula e na interação do dia-a-dia com as comunidades indígenas.

Juracilda lembrou que foi lançado também o “Inypyru Narrativa sagrada da criação do mundo”, registrada pelo alemão Curt Unkel, sobre a origem da terra em que vivemos hoje, no começo do século passado, na Aldeia do Rio Batalha, onde ele viveu com os Apapokuva-Guarani entre 1905 e 1907.

Nascido na Alemanha, Curt Unkel veio para o Brasil aos 20 anos com o interesse de conviver com os povos indígenas. Em 1905, ele passou a acompanhar grupos de língua guarani no Estado de São Paulo e, em 1907, foi batizado na aldeia Araribá, recebendo o nome indígena de Nimuendajú que ele adotou como sobrenome ao se naturalizar brasileiro em 1922.

Conforme a antropóloga, tais livros já foram distribuídos nas aldeias da região, como Renascer (Ubatuba), Itaóca (Mongaguá), Paranapuã (São Vicente), Bananal (Peruíbe) e Terras Indígenas Piaçaguera (Peruíbe). Os livros também estão disponíveis para todas as aldeias da região.

Participaram ainda da reunião Marcos Cantuária, do Serviço de Promoção dos Direitos Sociais e Cidadania, Gilberto Bueno, do Serviço de Gestão Ambiental, ambos da Funai. E ainda Nayara Martins, secretária de Comunicação da Saci.

Nayara Martins
Secretária de Comunicação

Updated: 07/11/2017 — 9:18 pm

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