Grupo de indígenas se manifesta pela demarcação de terras na rodovia

 

Um grupo de indígenas realizou um ato de protesto, na manhã de quarta-feira (23), para se manifestar em favor da demarcação das terras indígenas. O ato começou às 10 horas e terminou por volta de meio dia, na rodovia Padre Manoel da Nóbrega, na divisa entre Itanhaém e Peruíbe.

A manifestação contou com a presença de cerca de 60 indígenas da região. O objetivo foi apoiar os indígenas que tiveram um confronto com a Polícia Militar, em frente à Câmara dos Deputados em Brasília, na última terça-feira (22). Eles estavam em uma manifestação pacífica contra o projeto de lei 490/2007, que dificulta a demarcação das terras indígenas, e foram recebidos com bombas de gás e balas de borracha pela PM, na Capital Federal.

O grupo dançou e cantou os cânticos em tupi guarani e, em algumas vezes, interditaram os dois lados da rodovia Padre Manoel da Nóbrega. A Polícia Militar Rodoviária deu o apoio necessário à manifestação por cerca de duas horas.

Diversas faixas foram apresentadas durante o protesto, entre elas “PL 490 mata”, “Povo tupi guarani resiste! #Fora genocida”. “Resistir sim. Desistir jamais”, “Vidas indígenas importam”.

A líder indígena Catarina Delfina dos Santos, da aldeia Tapirema, na Terra Indígena Piaçaguera, esclarece que o protesto foi realizado para apoiar os indígenas que estão lutando, em Brasília, para que o projeto de lei 490 e o marco temporal não sejam aprovados.

“Torcemos para que o PL não seja aprovado, pois se for vai acabar com as nossas terras e a nossa cultura tradicional, assim como no restante do País. Nossa intenção é barrar a votação deste PL. Peço que Nhanderu nos dê força e nos ajude para que esse projeto não seja aprovado”, destacou Catarina.

Direitos

Catarina explica que os protestos que ocorreram em Brasília foram pacíficos e em defesa dos direitos da comunidade indígena. “Meu filho, o cacique Tenon, da aldeia Tapirema, explicou que ele está lá para ganhar ou perder, mas que vai lutar até o final”, completa.

Participam das manifestações, em Brasília, dois líderes indígenas da aldeia Tapirema – o cacique Tenon e o vice-cacique Mymby.

Algumas lideranças indígenas da Baixada Santista também marcaram presença no ato, como Dicleison de Souza, da aldeia guarani Tekoa Mirim, de Praia Grande, além outras aldeias que pertencem a Terra Indígena Piaçaguera.

Atualmente existem 12 aldeias tupi guarani na Terra Indígena Piaçaguera, localizada na divisa entre os municípios de Itanhaém e Peruíbe.

Projeto

O projeto de lei 490/2007 estava na pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, em Brasília, para ser votado na última terça-feira (22). Mas a sessão foi suspensa após o confronto entre os indígenas e a PM, em frente à Câmara. O texto do PL 490 prevê, entre outras medidas, a criação de um marco temporal para delimitar o que são terras tradicionalmente ocupadas pelos indígenas.

Texto e fotos – Nayara Martins

Updated: 25/06/2021 — 12:42 pm

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